Em tempos de aulas remotas e mesmo nas presenciais é bem difícil promover a participação e o engajamento dos estudantes.

Muito além do engajamento às aulas, há experiências que provam que envolver os alunos em decisões que podem impactar diretamente a rotina deles literalmente faz milagres.

Claro, promover a participação das crianças e adolescentes exige disposição e entendimento da importância dessa ação por parte de gestores e professores, já que isso implica em compartilhar informações e poder.

Nesse caso, existem palavrinhas mágicas a serem abraçadas pela gestão da escola nessa ação, e entre elas destaco diálogo, cooperação e informação transparente. Elas abrem o diálogo e qualificam o processo, que precisa ter equilíbrio entre as responsabilidades dos professores e as contribuições dos estudantes.

Mas atenção: não se pode transformar a participação dos alunos nas decisões da escola em um fardo para eles, bem como não se deve, nunca, em tempo algum, subestimar a capacidades dos nossos jovens e crianças, ainda que pareçam pouco interessados ou menos engajados.

A participação dos alunos deve levar em conta a cultura deles – ou seja, é preciso conhecer o público-alvo -, e jamais obrigá-los a se adequarem a modelos que refletem os dos adultos, no caso gestores e educadores.

E como trazer esses jovens para a participação espontânea?

Utilizando-se, de início, elementos que são familiares a eles e que podem potencializar o engajamento, contribuição, troca de ideias e sugestões, como a arte, ludicidade e mídias digitais.

A cultura democrática pode fazer com que a comunidade escolar ganhe com o compartilhamento de ideias e mais, promova a confiança e interesse das crianças e adolescentes por tudo o que diz respeito à escola. Eles irão desenvolver o sentimento de pertencimento e esse fato é extremamente rico para todos. O resultado pode surpreender no quesito aprendizagem.

A cultura democrática, que promove a participação dos estudantes nas decisões da escola passa pela Escuta, consultando-se os alunos sobre o processo educativo a que estão submetidos.

Escutar os alunos é sinônimo de criação de espaço para que possam compartilhar opiniões sobre diferentes assuntos, dos mais corriqueiros, como as atividades em sala de aula, aos mais complexos, como mudanças no currículo.

Mas o engajamento com o foco na participação real dos estudantes não tem nada a ver com distribuição de um questionário, por exemplo. Aliás, isso não irá funcionar para o propósito de envolvê-los de forma ampla e participativa na vida escolar.

Esse trabalho precisa ser mais elaborado, as consultas devem ser suportadas por dinâmicas, instrumentos e linguagens estimulantes e compreensíveis para eles.  Devem ser inclusivas, para que atraiam múltiplas vozes, inclusive as mais silenciosas e apáticas. Todos devem ser contemplados: os extrovertidos e os tímidos.

Quem os escuta – docentes e gestores – não deve, em hipótese alguma, manter-se na defensiva e precisa dar devolutivas consistentes, transparentes. As sugestões e propostas devem ser devidamente coletadas e a forma sobre como serão encaminhadas devem ser detalhadas.

Outro elemento é a Escolha. O processo de aprendizagem é individual, cada aluno tem um ritmo e uma forma de aprender. A partir do momento que é dado a eles a oportunidade de escolher entre duas ou mais opções, não apenas encontram alternativas mais interessantes, como se sentem valorizados e engajados no processo de ensino e aprendizagem.

Coautoria: crianças e jovens tendem a se engajar mais na sua aprendizagem quando têm espaço para criar. Pode-se iniciar com produções pequenas, como desenhos, cartazes e dramatizações e ganhar potência com criações mais robustas, como peças de teatro, composições musicais, vídeos, podcasts, revistas em quadrinhos.

A coautoria expande quando é permitido aos estudantes envolvimento na elaboração de projetos, seja para desenvolver um produto, jogo, robô, seja para resolver um problema concreto, como a melhoria de uma praça do bairro.

O mais legal é que nesses encontros de cocriação, professores e alunos refletem juntos sobre o que não está funcionando em sala de aula e têm a oportunidade de desenhar novas possibilidades.

Corresponsabilização: trazer os alunos para busca de soluções para os desafios da escola. As escolas, nesse caso, devem engajar os estudantes em discussões e iniciativas voltadas a melhorar o seu cotidiano educacional.

Instituições de ensino que adotam modelos de gestão mais democráticos, em geral, abrem espaços para a participação efetiva dos alunos via assembleias, e conselhos, por exemplo. Mesmo assim, as discussões ainda tratam de temas superficiais, como eventos esportivos.

É bom frisar que são as experiências mais aprofundadas que conseguem engajar jovens, e entre elas estão questões como indisciplina, dificuldades de aprendizagem ou orçamento da escola.

Nesses casos, os alunos podem apontar novas perspectivas sobre os problemas e possíveis causas, além de conseguirem apoiar os docentes a formular soluções mais assertivas e a colocá-las em prática.

O melhor de implementar o processo de gestão democrática, que fomenta a participação efetiva dos alunos nas decisões da comunidade escolar é formar cidadãos. Eles aprendem desde pequenos – e no ambiente escolar, que podem e devem participar de todo processo no qual estão inseridos. E aprendem a fazê-lo de forma plena.

Para a escola, o bom é ter estudantes mais engajados na rotina, receber sugestões e soluções diferenciadas, de quem faz parte do processo, e, por consequência, alunos mais envolvidos nas aulas.

Fonte: Porvir.org


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