A estimativa leva em conta cenário no qual os alunos não tiveram a possibilidade de aprender por meio de aulas online ou entrar no ambienta virtual pelos mais diversos motivos, como falta de acesso à internet, falta de ferramentas tecnológicas como computador, lap top ou smartphone, ou ainda por perda de vínculo com a escola, inclusive por não estar incluído digitalmente.

Segundo a pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas a pedido da Fundação Lemann, os dados apontam que os estudantes mais prejudicados são os alunos do sexo masculino pardos, negros e indígenas, com mães que não concluíram o ensino fundamental.

Já os estudantes menos prejudicados são alunas do sexo feminino que se declararam brancas com mães que concluíram pelo menos o ensino médio.

O estudo da FGV usa como base os dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). A simulação considerou o aprendizado de alunos do 5º ao 9º ano do ensino fundamental e do ensino médio, em português e matemática.

Ainda de acordo com a pesquisa, a perda de aprendizagem em matemática é mais intensa, quando comparada à perda verificada em português.

Por etapa de ensino, o levantamento mostra que os alunos do fundamental foram mais prejudicados que os das demais, como o médio, por exemplo.

Além disso, os dados analisados indicam diferenças regionais, em que os alunos do Norte e Nordeste tiveram mais prejuízos na aprendizagem na comparação com os das regiões Sul e Sudeste.

Na opinião de André Portela, pesquisador líder do estudo e Professor Titular de Políticas Públicas da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV EESP), a explicação para os fatos é simples de compreender: “Em um cenário de interrupção das aulas presenciais, o aprendizado dos alunos depende do acesso ao ensino remoto e esse acesso é desigual no Brasil”.

Portela destaca ainda que ao analisarem os  dados do Saeb, concluíram que, em 2020, o crescimento do aprendizado dos alunos brasileiros poderá desacelerar ou mesmo retroceder. “Esse resultado ocorre de maneira desigual no país, afetando mais fortemente os menos favorecidos. Assim, esforços para mitigar essa perda e garantir o acesso a um ensino remoto de qualidade a todos são urgentes, de modo a evitar a perda de aprendizado e o aumento das desigualdades educacionais”, finaliza o pesquisador.

O resultado da pesquisa deixa claro que o problema não está na aula online, mas reside na desigualdade de acesso à internet e da imensa diferença socioeconômica entre as famílias dos estudantes. Ou seja, enquanto parte da população tem condições financeiras de comprar as ferramentas tecnológicas para que crianças e jovens acompanhem as aulas no ambiente virtual, outra parte não consegue receber educação por falta desse mesmo aparato.

Vale ressaltar que um levantamento publicado na revista científica “Educational Researcher”, da American Educational Research Association, no fim do ano passado, revelou que estudantes da educação básica tiveram perda de aprendizagem entre 50% e 63% em matemática e entre 32% e 37% em leitura, após três meses de fechamento das escolas.

Fonte: Portal G1


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