É preciso repensar de forma urgente como os trabalhos dos alunos são avaliados. Muitas vezes, o foco é o desempenho do aluno, e não a real eficácia de aprendizagem do estudante.

Ao colocar tanta ênfase nos dados de desempenho, corre-se o risco de perder de vista de onde ele veio em primeiro lugar – ou seja, o que realmente os alunos entenderam e em quais pontos precisam melhor. O fato é que alterando-se certos elementos do processo de avaliação, é possível torná-lo mais significativo, além de tirar parte do peso da carga de trabalho dos professores.

 

Como dar feedbacks aos alunos?

Não compare

O ideal, inclusive eticamente falando, é  focar os  comentários sobre o desenvolvimento e a melhoria individual de cada  aluno, jamais comparando-o  com seus colegas de classe (ou qualquer outra pessoa). Estudo recente descobriu que ser positivamente comparado com outros pode levar ao comportamento narcisista. Esse tipo de comparação, caso negativa, também pode reduzir a motivação e causar menor confiança, controle emocional, desempenho acadêmico e aumento da ansiedade

Sem exageros

Quando um aluno tem um desempenho ascendente repentino, é natural querer fazer muitos elogios ao nível de sucesso alcançado, não importa quão pequeno seja. Ocorre que esse posicionamento do professor pode fazer mais mal do que bem ao estudante. Muitos elogios podem transmitir uma sensação de baixa expectativa.

 

Corrija silenciosamente

Os adolescentes preocupam-se  muito com  o que seus colegas pensam sobre eles. O feedback construtivo dado à frente dos outros, mesmo que seja bem planejado, pode ser visto como um ataque público sobre o todo  e sua capacidade. Isso pode levar os alunos a desenvolver o medo do fracasso.

A alternativa, segundo o Doug Lemov, é  a correção individual privada. A ideia é limitar a atenção para o feedback e apresentar a mensagem de forma clara a cada um dos alunos. Tal técnica assemelha-se à correção de sussurro – o feedback ocorre tecnicamente em público, mas o tom de voz são projetados para ser ouvidos apenas pelo indivíduo que o recebe.

 

Seja específico

Ao afirmarmos  que algo é “bom”, muitas vezes assumimos que as pessoas saberão exatamente o que é bom. Não é sempre o caso – especialmente quando você está conversando com adolescentes, que, como resultado de sua reestruturação do cérebro, podem ter dificuldade  em entender as perspectivas e os processos de pensamento de outras pessoas, inclusive o seu. Quanto mais detalhado e específico for o seu feedback melhor para remover qualquer tipo de ambiguidade ou dúvida. Ao invés de “bom trabalho”, diga: “O jeito que você fez X foi realmente bom”.

 

Combine perguntas abertas e fechadas

O problema com perguntas fechadas – “Você estava nervoso antes da prova?” – é que se a resposta for não, a conversa terminará ali. Você pode descobrir que o aluno não estava nervoso, mas ficará sem saber o que ele realmente estava sentindo (triste, irritado, não incomodado, cansado e assim por diante). Perguntas abertas – “Como você se sentiu na manhã da prova?” – incentiva os alunos a contarem suas histórias e a desenvolverem o tema em questão, ou seja, a resposta será mais ampla, com a possibilidade, inclusive, de o professor formular outras questões e saber mais a respeito do sentimento dos estudantes.

Não há regras específicas, mas o ideal é combinar perguntas abertas e fechadas e tecer seus comentários, juntamente com declarações e respostas dos alunos. As declarações fechadas são úteis para transmitir informações importantes e manter a conversa focada.

Comentários com foco

Este é um dos pontos chave do relatório What Make Great Teaching, produzido pela Universidade de Durham, na Inglaterra. Qualquer comentário que não leve a uma mudança de comportamento é redundante: todo comentário deve ter uma finalidade. O que o docente quer que os estudantes façam de maneira diferente? O que deve ser realizado por eles após a conversa ou apontamentos a fim de que melhorem? Quanto mais detalhada e específica a ação, melhor.


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