A pandemia de Covid-19 obrigou escolas de todo o mundo a migrar do presencial para o ambiente virtual, visando o distanciamento social. Essa mudança acelerou uma discussão já em andamento no âmbito educacional: o uso de tecnologias e internet.

O ensino remoto evidenciou a necessidade de discutir temas como infraestrutura, equipamentos e acesso à internet que, durante a pandemia, não representaram uma solução para famílias que vivem em áreas rurais, mais isoladas e classe social menos privilegiada.

Com foco em tentar solucionar tais equações, o CIEB – Centro de Inovação para a Educação Brasileira – em parceria com o NIC.br – Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR – desenvolveu o Projeto Conectividade na Educação. A ideia é oferecer subsídios técnicos para formuladores de políticas públicas e tomadores de decisão.

A implementação do Programa Inovação Educação Conectada, em 2018, não avançou como se desejava, segundo Lucia Dellagnelo, diretora-presidente do CIEB.

No entanto, a pandemia juntou tecnologia e educação de uma forma ainda não realizada pelas instituições de ensino, exigindo novas medidas e otimização desse avanço.

O Projeto Conectividade na Educação em três grandes frentes, considerando desafios anteriormente mapeados pelo CIEB: mapa de diagnóstico de conectividade; alternativas para oferta de internet nas escolas; e distribuição do sinal dentro da escola.

Mapa da conectividade

O mapa de diagnóstico da conectividade das redes de educação, uma das responsabilidade do NIC.br, fornece informações por rede escolar como, por exemplo, a porcentagem de escolas com acesso à internet.

Segundo Gabriela Marin, analista de projetos no NIC.br, responsável pela coordenação do projeto, esses dados são obtidos a partir do programa Educação Conectada, do MEC (Ministério da Educação). Em parceria com o governo federal, o NIC.br fornece às escolas a tecnologia de medição de internet Simet. De acordo com a analista, atualmente são 26.700 escolas públicas com medidor instalado, o que possibilita coleta de dados a cada quatro horas.

“O mapa é bastante descritivo. O principal conhecimento na primeira etapa do projeto é dos analistas de dados, que programaram o site, mapa e gráficos. Utilizamos nossa expertise em associar bases de dados de diversas organizações, como Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), Abranet (Associação Brasileira de Internet), MEC e NIC.br, assim como correlacionar e produzir análises visuais. O site resultante irá permitir ao gestor a extração de informação sobre a conectividade de sua rede”, explica Gabriela Marin.

Orientações para gestores

A NIC.br e o CIEB irão elaborar um relatório que contenha informações práticas e assertivas para gestores escolares, facilitando a compra de equipamentos, a exemplo de computadores, além de auxiliar na aquisição de equipamentos para a rede interna, como pontos de acesso que distribuem o sinal de internet até a sala de aula, e não apenas no laboratório de informática.

Na avaliação de Rodrigo Uchoa, diretor de transformação digital da Cisco no Brasil, diante dos desafios já conhecidos enfrentados pela educação, a tecnologia pode ser uma saída relevante. “Pensar em políticas públicas para a educação que viabilizem e acelerem a digitalização, a capacitação de professores e a melhor gestão das escolas é a principal mudança para os gestores públicos nos dias de hoje.”

Estratégia diferenciada para dispositivos

A participação da Cisco no projeto Conectividade para Educação conversa diretamente com o programa Cisco Brasil Digital e Inclusivo, lançado em maio de 2020.

Uchoa reforça que a pandemia deixou claro que somente com o uso de tecnologia é possível transformar o processo educacional e viabilizar novos paradigmas de ensino e aprendizagem, sejam eles presenciais, online ou híbridos, mas é urgente que todos estejam na mesma página quanto à importância desse novo desenho educacional.

“É necessário entender que a tecnologia não é uma opção, mas uma necessidade e direito de todos alunos, professores e administradores que fazem parte do sistema educacional público, e que, sem seu uso, ficaremos presos em modelos educacionais ultrapassados e teremos jovens cada vez mais excluídos do mercado de trabalho e desta nova era digital”, salienta.

Pensando em tudo isso, é fato que o projeto precisa ir além da discussão sobre como equipar escolas ou facilitar o acesso a dispositivos. Se faz necessária a discussão assertiva sobre os novos paradigmas e metodologias educacionais, formação de professores e o papel da escola.

Brasil continental e conectividade

O tamanho do Brasil dificulta bastante a elaboração de planos de conectividade e, por isso, segundo Uchoa, é relevante levar em conta o papel do governo e das políticas públicas de incentivo e subsídios à construção da infraestrutura de redes ópticas, bem como a viabilização de parcerias público-privadas para a construção e operação destas redes, que poderiam promover a conectividade para a educação e diversos outros setores, como saúde, segurança e administração pública.

Ele também destaca o papel da inovação, o surgimento de novas tecnologias, e a diversidade de atores trabalhando nessa mesma questão no Brasil como formas de avançar nesse tema, reduzindo custos de produção e operação de redes seguras e possibilitando diferentes modelos de contratação.

Outras discussões pertinentes são a infraestrutura das escolas e a atualização profissional de professores.

Fonte: Porvir


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