Para os estudantes brasileiros, o ensino durante a pandemia trouxe nova perspectiva sobre a educação.

A experiência das aulas remotas, no modelo adotado por boa parte das instituições ao longo de 2020, está longe de agradar a maioria deles, evidenciando o anseio dos alunos por mudanças no sistema educacional, como a criação de novos métodos de avaliação, maior interatividade nas aulas, participação dos pais no processo educacional, entre outros aspectos.

A constatação está no resultado do levantamento “Expectativas do Ensino no Brasil”, realizado pela Minds & Hearts, que teve por objetivo compreender como os alunos veem o ensino nos próximos anos e saber o que eles mudariam se fossem responsáveis por melhorar a educação do Brasil.

Na opinião de 60% dos entrevistados, há necessidade desenvolvimento de novos métodos de avaliação, que não sejam somente provas convencionais. Para 56% dos estudantes ouvidos pela pesquisa, o caminho está em romper com o modelo mais convencional de aulas, tornando-as mais interativas, e com maior troca de ideias entre alunos e professores.

Já para 52%, o ensino deveria contribuir com a conscientização social, promovendo mais ações para combater o racismo e preconceito de qualquer espécie.

A capacitação dos professores é preocupação de mais da metade dos alunos  – 52% – e eles ainda opinaram que integrariam o ensino médio às experiências corporativas, elevando a vivência para escolha de uma profissão.

Os entrevistados também acreditam que a participação dos pais na educação dos filhos, desde o começo dos estudos, pode fazer a diferença no desenvolvimento das crianças e jovens, no seu processo educacional, bem como pode contribuir para ampliar a sua visão de mundo: 82% reforçaram a relevância de acompanhar a vida escolar dos filhos desde o início.

Já 85% acreditam que os pais deveriam estimular a leitura na infância e 74% consideram que os pais precisariam incentivar os filhos a conviverem com diversidade de pessoas e pensamentos.

Educação e pandemia 

A pesquisa também abordou como a pandemia da Covid-19 mudou o ensino de uma hora para outra. O estudo revela que 66% dos estudantes não estão gostando da experiência de aulas no ambiente virtual. Importante perceber que alunos de escolas públicas são os que reclamam menos do sistema remoto.

Somente 8% das pessoas entrevistadas já estudavam remotamente, enquanto 90% conheciam apenas cursos presenciais.

Com a pandemia, 47% dos estudantes passaram a ter cursos online, 17% por videoaula, 16% fazem ambas as formas e 3% afirmaram ter aulas tanto online quanto presencial. No total, 13% disseram que estão com as atividades educacionais interrompidas.

Positivo ou Negativo?

O levantamento também perguntou quais seriam as partes positivas da educação no ambiente virtual.

Para 29% dos entrevistados o destaque positivo fica por conta dos recursos de tecnologia utilizados. Além disso, didática/metodologia foram apontadas por 16% dos estudantes. Já 14% afirmaram que conseguem se concentrar mais, mesmo percentual dos que destacaram o preparo.

Em contrapartida, quando questionada a parte ruim, ficou evidente que as aulas remotas deixam a desejar. Para 45% dos pesquisados, esse modelo faz com que aprendam menos. Na opinião de 42%, o problema é a falta de concentração. Ademais, 40% reclamam do excesso de tarefas e 37% sentem falta das aulas práticas, incluindo laboratórios e educação física. Nos casos de 36% dos estudantes, a dificuldade é não conseguir tirar dúvidas.

Na avaliação do aprendizado, 67% revelaram estar aprendendo menos do que antes da pandemia. De acordo com 20% está igual e 9% acreditam que aprenderam mais nesse período.

Adicionalmente, o levantamento questionou sobre o modelo ideal de ensino depois da pandemia. Entre os entrevistados, 47% gostariam que não existissem aulas online/EAD e 46% esperam um modelo híbrido, com aulas online e presenciais.

“Todos fomos lançados em um novo patamar, em um novo momento econômico e social e isso não foi diferente para escolas, estudantes, educadores e pais de alunos. Este novo momento deixou ainda mais evidente as fragilidades do sistema educacional e a urgência da realização de mudanças, assim como convida todos os elementos da cadeia educacional a iniciarem um diálogo mais produtivo e transformador com a sociedade. Muitas oportunidades apresentam-se neste novo momento para o setor educacional e deixá-las passar seria interromper uma evolução que está sendo demandada”, conclui Naira Maneo, sócia-diretora da Minds & Hearts e responsável pelo estudo.

Diploma superior e cursos técnicos

O diploma universitário continua sendo muito valorizado para entrada no mercado de trabalho. Perguntados sobre essa necessidade, 91% dos estudantes consultados pela pesquisa consideram que o diploma universitário é importante ou muito importante para entrada no mercado de trabalho. Os alunos de escola pública são os que veem maior diferencial no diploma: 94% contra 84% da privada.

A pesquisa “Expectativas do Ensino no Brasil” ainda verificou a intenção de os entrevistados investirem em curso complementar (nível técnico). Inglês ou outro idioma foi apontado por 45% deles.

A área de tecnologia e informática/tecnologia da informação é o desejo de 19%, seguida de gestão e negócio (13%) e design (9%).

Para realizar a pesquisa “Expectativas do Ensino no Brasil”, a Minds & Hearts ouviu, de 13 de setembro a 5 de outubro, 1.099 pessoas, incluindo homens e mulheres, entre 15 e 44 anos, das classes A, B, C e D. Todos são estudantes dos ensinos médio e superior, nas principais capitais e interior do Brasil, abrangendo escolas públicas e privadas e cursos extracurriculares.

Fonte: Pesquisa divulgada pela Minds & Hearts, empresa da HSR Specialist Researchers

 


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