As respostas a essa questão podem ser várias, e os cases de sucesso em outros países também podem ser elencados aqui, mas, talvez uma das respostas mais assertivas esteja relacionada ao alto estímulo da criatividade e da proatividade que a pedagogia de projetos proporciona aos alunos. Isso sem falar da interação dos estudantes com a classe e com os professores.

A pedagogia de projetos é uma metodologia de ensino que favorece a experimentação, e propõe conexão entre alunos e um projeto de pesquisa que desperte o interesse deles. Nessa proposta, o docente atua como mediador do conhecimento e orientador, favorecendo o ensino com base nas descobertas surgidas por meio das pesquisas realizadas pelos próprios estudantes.

Se há algumas décadas, o mundo exigia que acumulássemos conhecimento, na atualidade, especialmente após o advento da Internet, a exigência é outra, e muda muito rápido em linha com o avanço rápido e constante das tecnologias da informação e comunicação. O mundo não recompensa mais os indivíduos apenas pelo que eles sabem, já que o Google está aí à disposição de todos, com todo tipo de informação. Atualmente, também não é mais suficiente apenas a reprodução do que se sabe. Pode-se fazer isso facilmente por meio do smartphone.

O pulo do gato no mundo moderno e o que provavelmente fará a diferença na vida profissional e pessoal dos nossos estudantes é o que eles farão com o que aprenderam, de que forma irão aplicar o conhecimento adquirido, como vão lidar com as informações disponíveis no trabalho e na vida.

É isso o que irá diferenciar os humanos da inteligência artificial: a criatividade com que empregam o conhecimento.

Sabemos que vários sistemas de educação são excelentes na criação de robôs, e também temos consciência que a maioria das pessoas, até pela forma como foram “ensinadas” ao longo da vida, se tornaram expert em apenas repetir o que disseram a elas, o que é lamentável.

Um país só cresce de maneira sustentável e poderosa, inclusive economicamente, quando seus cidadãos desenvolvem o pensamento crítico, e a capacidade de, muito além de receber e reter informações, analisá-las, associá-las, e criar a partir delas.

Por fim, ao contrário do que se pensa, estimular a criatividade em aula, por meio de projetos, em hipótese alguma negligencia o conteúdo. Ao invés disso, exige que o estudante utilize esse conteúdo na prática, de forma criativa, para a construção passo a passo de um novo projeto e para a resolução de problemas por ele impostos. Quanto antes a criança estiver em contato com uma metodologia que a faça usar o que aprende na prática, mais atenta, criativa e crítica ela poderá se tornar.

Para estimularmos a criatividade e a proatividade em sala de aula, não é preciso lançar mão de equipamentos mirabolantes ou alta tecnologia: basta ter em mente que para termos alunos criativos, precisamos proporcionar a eles a chance de cometerem erros por meio de experimentação. Os professores os ajudarão a aprender com os erros e, desta forma, chegarem à excelência na resolução do problema ou finalização do projeto.

Ao mantermos nas nossas escolas o formato de só aceitarmos a resposta certa, limitamos a criatividade dos estudantes, ao passo que, se estimularmos a experiência com a possibilidade de tentativa/erro/acerto, iremos estimular a proatividade, o raciocínio lógico, a criticidade e a criatividade das crianças e jovens.

Para que tudo isso seja possível, é urgente que o sistema de ensino como um todo se dê conta dessa necessidade de transformação e, além de buscar formas para essa mudança (já em andamento em várias instituições de ensino do país, sobretudo as privadas), também compreenda que o fator humano, o docente, deve incorporar esse novo espírito e passar por atualização profissional que o capacite para lidar com esse novo formato, muito mais adequado à realidade de nossos alunos.

De acordo com Andreas Schleicher, Diretor de Educação da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento da Econômico), o pensamento criativo ainda não é o ponto forte dos estudantes brasileiros, exatamente pelo formato da educação e pela necessidade de reciclagem profissional dos professores.

E por conta do não estímulo à criatividade e ao raciocínio lógico, lembramos que os resultados mais recentes do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), não apresentaram avanço significativo na última década.

Na edição mais recente do Pisa, realizada em 2018 e divulgada em 2019, o Brasil ficou no 42º lugar em leitura, 58º em matemática e no 53º lugar em ciências, posições muito parecidas com as verificadas desde o ano de 2009.

Para estimular os países que ainda não acordaram para essa nova realidade, o PISA passará a avaliar também a criatividade dos estudantes.

Agora nos resta transformar a educação brasileira ou ver a qualidade dela despencar diante do resto do mundo.


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